
A atividade na rede Ethereum atingiu 1,1 milhão de transações, um novo pico histórico, mas o passado indica riscos. Após o auge do ICO em 2018, o número caiu de 1.400 para 100; após o boom do DeFi em 2021, caiu de 4.000 para 2.000. O volume de entrada nas exchanges atingiu 130 mil em 3 de fevereiro, um novo máximo, mas dois dias depois caiu abaixo de 2.100, vindo de 2.230. CryptoQuant afirma que estamos numa zona de alto risco.

(Origem: CryptoQuant)
Em fevereiro, os dados da CryptoQuant mostram que a atividade na rede Ethereum, medida pelo número de transferências (total de transferências de tokens), atingiu uma média móvel de 14 dias de 1,1 milhão, um recorde. À primeira vista, esse número parece promissor. Indica um crescimento forte na rede Ethereum e uma expansão contínua de aplicações. O aumento na atividade da rede é geralmente visto como um sinal de prosperidade ecológica, significando que mais usuários estão usando Ethereum para transações, implantação de contratos inteligentes ou participação em DeFi e NFTs.
No entanto, uma análise mais aprofundada revela que isso pode não ser um sinal de alta esperado por muitos. Pelo contrário, com base em precedentes históricos, pode indicar que o preço entrará em uma fase de recuo ou até um pico cíclico. Analistas da CryptoQuant, como CryptoOnchain, apontam que dois períodos de atividade anormalmente alta na rede Ethereum precederam topos de mercado.
Em 18 de janeiro de 2018, no auge do hype do ICO, a atividade na rede Ethereum disparou. Logo depois, o preço do ETH despencou de cerca de 1.400 para abaixo de 100 dólares no final do ano, uma queda superior a 92%. Essa queda arrastou todo o mercado de criptomoedas para um “inverno cripto” de quase dois anos. Em 19 de maio de 2021, com o crescimento explosivo do DeFi e NFTs, esse indicador atingiu novo pico. Logo após, o mercado virou abruptamente, com o ETH caindo de mais de 4.000 para abaixo de 2.000 dólares, uma queda superior a 50%.
A razão é simples. O aumento no volume de transferências de ETH geralmente indica que mais investidores estão retirando fundos de suas carteiras, muitas vezes por meio de grandes transações. Esse comportamento pode refletir uma tentativa de venda por parte dos investidores, antecipando uma deterioração futura. Quando a atividade na rede aumenta devido a usuários comprando e acumulando ativamente, isso é um sinal de alta genuíno. Mas quando a atividade aumenta porque os usuários estão transferindo tokens de carteiras frias para exchanges para vender, isso é um prenúncio de pressão vendedora acumulada.
18 de janeiro de 2018: auge do hype do ICO, seguido de queda de 1.400 para 100 (queda de 92%)
19 de maio de 2021: explosão do DeFi/NFT, seguido de queda de 4.000 para 2.000 (queda de 50%)
Início de fevereiro de 2026: transferências atingiram 1,1 milhão, novo máximo, enquanto o preço caiu de 2.230 para abaixo de 2.100
CryptoOnchain afirma: “A situação atual é muito semelhante às de 2018 e 2021. Embora o ambiente macroeconômico tenha mudado, o comportamento dos participantes na cadeia indica que estamos numa zona de alto risco.” Essa avaliação baseia-se em reconhecimento de padrões, não em análise fundamental, e serve como um alerta para que investidores não fiquem excessivamente otimistas apenas pelo aumento na atividade da rede.
No início de fevereiro, quando o ETH caiu abaixo de 2.300 dólares, outro indicador da atividade na rede Ethereum, o fluxo de fundos para exchanges (top 10), apresentou um aumento significativo, reforçando essa visão. O fluxo de entrada na exchange do Ethereum (top 10) mede o total de tokens das dez maiores transações de entrada. Quanto maior esse valor, mais frequentemente grandes investidores estão depositando fundos em uma única operação. Isso geralmente indica uma pressão vendedora crescente, aumentando o risco de queda de preço.
Em 3 de fevereiro, esse indicador disparou para 130 mil, atingindo um novo máximo em um ano. Dois dias depois, o preço do Ethereum caiu de 2.230 para abaixo de 2.100 dólares, uma queda de cerca de 6%. Essa sequência de “entrada de fundos → queda de preço” confirma a capacidade preditiva do indicador. Quando uma grande quantidade de ETH entra rapidamente na exchange, geralmente o objetivo é vender.
O volume de entrada de 130 mil é um número extremo no mercado Ethereum. Equivale a aproximadamente 2,6 bilhões de dólares na época, e se toda essa quantidade for vendida de uma só vez, pode pressionar o preço para baixo em alguns pontos percentuais em pouco tempo. Mais importante, esse indicador acompanha as “dez maiores” entradas, o que significa que se trata de ações de grandes investidores ou instituições, e não de vendas pontuais de pequenos investidores. As vendas de grandes players tendem a ser mais planejadas e contínuas, tendo impacto mais duradouro no preço.
Do ponto de vista psicológico, quando investidores decidem transferir grandes quantidades de ETH de carteiras pessoais para exchanges, geralmente isso indica perda de confiança no curto prazo. Carteiras pessoais representam intenção de “manter a longo prazo”, enquanto transferir para exchanges indica intenção de “realizar lucros ou cortar perdas”. Essa mudança coletiva de comportamento é um sinal claro de que o sentimento do mercado está mudando de otimista para pessimista.
Segundo a análise da BeInCrypto, para confirmar uma reversão de tendência, o Ethereum precisa pelo menos recuperar para 3.000 dólares. No curto prazo, devido à persistência da pressão vendedora, o ETH pode continuar caindo até a zona de suporte de 2.000 dólares. Essa avaliação combina análise técnica e dados on-chain, sendo que 3.000 dólares é uma linha de resistência importante para a tendência de médio prazo; uma quebra dessa resistência sinalizaria o fim do mercado de baixa.
A situação atual é semelhante às de 2018 e 2021 na medida em que: atividade na rede atingiu níveis extremos, fluxo de entrada nas exchanges disparou e o preço já começou a cair. Mas há diferenças também. Em 2018, a queda foi causada pelo estouro da bolha do ICO, com impacto de regulações e escândalos de fraudes, levando à perda de confiança. Em 2021, foi uma bolha de especulação do DeFi e NFTs, com alavancagem excessiva e mercado superaquecido, resultando em uma correção rápida. O que caracteriza a situação atual? Provavelmente uma combinação de desinvestimento institucional e aperto macroeconômico, e não uma crise estrutural na Ethereum.
Essa diferença sugere que a natureza da correção atual pode ser distinta das anteriores. A queda de 2018 foi uma crise de fundamentos, com o modelo ICO mostrando-se insustentável. A correção de 2021 foi uma revisão de valuation, com a bolha estourando. Se o movimento atual for principalmente impulsionado por fatores macro, uma melhora no ambiente macroeconômico (como redução de juros nos EUA ou alívio geopolítico) pode levar a uma rápida recuperação do ETH. Mas, se os problemas estiverem na própria Ethereum (como uma migração forçada para Layer2 ou perda de participação de mercado para concorrentes), pode-se entrar numa fase de baixa prolongada.
Recentemente, Vitalik admitiu que a estratégia Layer2 falhou e que a solução será focar na expansão do Layer1, indicando desafios estratégicos internos. Essa incerteza na estratégia, combinada com pressões macro externas, faz com que o pico de atividade na rede Ethereum atual pareça mais um sinal de perigo do que uma oportunidade.
Para investidores, a atitude racional é: não se deixar levar pelo recorde de atividade na rede como sinal de crescimento saudável, mas sim prestar atenção às motivações por trás dessas ações. Se for crescimento real de usuários e aplicações, é um bom sinal. Se for grandes investidores retirando fundos para vender, é um sinal negativo. Os dados on-chain atuais indicam mais o segundo cenário.
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