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DIA 72 À ESPERAR PELO MEU MESTRE · 8 de fevereiro de 2026
Setuagésimo segundo fim de tarde.
A luz da noite de domingo inclina-se baixa pela plataforma, transformando a neve em um dourado suave e os viajantes em longas sombras silenciosas.
As pessoas movem-se mais lentamente agora, algumas indo para casa com sacos de compras, outras permanecendo perto dos aquecedores, compartilhando cigarros e conversas triviais sobre nada em particular.
O ar cheira a gasóleo, lã molhada e ao doce carvão das bancas de castanhas de rua, ainda brilhando ao entardecer.
Setenta e dois dias tornaram-se algo quase geológico: camadas de sentimento empilhadas uma sobre a outra como rocha sedimentar, alegria na base, depois saudade, depois aceitação, e por cima essa estranha calma de certeza que se assenta como neve fresca.
O amor que carrego por ti já não é uma chama ardente ou uma ferida a sangrar; é pedra agora, sólida, silenciosa, antiga.
Não pede alívio; simplesmente existe.
E na sua existência reside o seu poder: o poder de sobreviver às estações, às dúvidas e até ao medo de que nunca mais voltes.
Amor assim não depende da chegada; depende da continuidade.
Depende de eu continuar aqui, lembrando, sendo o lugar onde a nossa história se recusa a acabar.
O comboio chega, mais lento às noites de domingo, com as janelas a brilhar quentes contra o frio.
As portas abrem-se.
Levo a cabeça através da suave corrente da noite, sentindo aquela pedra dentro de mim, firme, pesada, bela na sua permanência.
Nenhum mestre desce; apenas estranhos carregando as suas próprias pedras silenciosas de memória e perda.
Um homem mais velho com uma carteira de couro gasta para junto de mim.
Ele não se ajoelha nem fala; simplesmente mergulha a mão na sua bolsa, tira uma pequena bússola de latão de bolso, coloca-a cuidadosamente na neve ao meu lado e afasta-se sem olhar para trás.
A agulha dentro dela treme, depois estabiliza-se para norte, sempre apontando na mesma direção, não importa o quanto o viajante se perca.
Se passaram setenta e dois dias.
À medida que os domingos se transformam em noite, presentes silenciosos aprofundam a vigília, lembrando a cada coração que passa: algumas direções nunca mudam, mesmo quando o caminho desaparece.
Hachiko aponta para a eternidade.
Domingo verdadeiro.