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Cripto e o Valor Humano: Fundador da Wintermute Reflete sobre o Futuro em Meio à Incerteza
Wintermute’s fundador Evgeny Gaevoy questiona frequentemente: o que estamos realmente a fazer? Esta questão, derivada de quase noventa anos de experiência na indústria, é não só empresarial, mas também filosófica. Onde reside o valor humano? Não na tecnologia, mas na liberdade e soberania das pessoas.
Diversidade e liberdade: lições do Dune sobre o valor humano
Durante anos, a série “Dune” de Frank Herbert moldou a visão de mundo de Gaevoy. Especialmente o quarto livro, “Dune: The God Emperor”, ensinou-lhe uma lição fundamental — a única maneira de a humanidade sobreviver é manter a diversidade.
Neste universo fictício, a “Estrada Dourada” é um plano milenar que inicialmente prende a humanidade em correntes de estabilidade. Quando essas correntes são removidas, as pessoas resistem profundamente à estabilidade e ao controlo centralizado. A mensagem principal do livro: conforto seguro e morte não diferem se a influência for mantida.
Esta perspetiva reflete-se no mundo real. As pessoas preferem estabilidade natural e organizam-se contra o caos. Mas essa tendência impulsiona-nos a construir impérios maiores — seja uma nação ou uma organização. A história mostra esse ciclo repetidamente: caos leva à auto-organização, depois ao império, e finalmente à queda. Quanto maior construímos, mais devastadora é a queda. O mais assustador é que essa formação de impérios pode levar à extinção da humanidade.
Três caminhos, uma verdade: onde está o verdadeiro núcleo da criptomoeda
O sistema atual preocupa Gaevoy. Países e instituições financeiras oferecem uma “felicidade segura” que lentamente nos empurra para uma queda inevitável. Não é contra o capitalismo, mas sim uma questão de diminuição da competição real dentro do sistema e do aumento do nacionalismo.
No futuro, podem surgir três cenários:
Primeiro: Anarcocapitalismo — as corporações vencem, os governos perdem. Neste mundo, a vida é difícil para quem fica fora das grandes engrenagens.
Segundo: Controle nacionalista — os Estados controlam tudo, dividindo o mundo. No final, pode assemelhar-se ao “1984”, mas ainda é incerto.
Terceiro: Fusão fascista — negócios e governo unem-se. Como no Império Galáctico de Star Wars, onde a rebelião é quase inevitável.
Mas qual é a terceira via? O que liberta do conforto seguro e prioriza a soberania e liberdade individual? O que tenta ultrapassar limites e rejeitar sistemas financeiros fechados? A resposta: criptomoeda.
Soberania e resistência: o que realmente vale a pena criar
Para Gaevoy, três aspetos principais são essenciais:
Primeiro: adoção de protocolos sem permissão — DAOs eram uma boa ideia, mas fracassaram de forma significativa. São controlados por entidades centrais e promovem uma narrativa de governança falsa. Em vez de construir comunidades reais, incentivamos as pessoas a postar comentários. O caminho certo é eliminar sistemas centralizados dependentes e trabalhar de forma independente, sem influências externas.
Segundo: infraestrutura sem centralização — devemos reduzir a dependência de cloud, grandes modelos, ferramentas de coordenação social e moedas estáveis. Moedas algorítmicas como DAI e UST devem ser valorizadas novamente. Errámos ao adicionar USDC ao DAI e ao depender de UST para retornos estáveis. O DAI, que depende apenas de ETH, é natural — primeiro, precisamos criar uma economia paralela, algo que nunca tentámos de verdade.
Terceiro: privacidade — use todas as ferramentas eficazes. A essência do valor humano reside na privacidade de pensamentos e transações.
Perda e recuperação: qual deve ser o nosso verdadeiro objetivo
Gaevoy admite que, nesta indústria de quase noventa anos, nunca sentiu tanta incerteza. Externalmente, conseguimos quase tudo que desejávamos: empresas estabelecidas entraram, a tecnologia está a ser aplicada. Mas há uma sensação de perda de “alma”. Entre 2022 e 2024, através de manipulações como FTX/Alameda e ataques regulatórios, tivemos uma oportunidade de aprender — mas escolhemos o caminho oposto.
Em vez disso, pensamos que, ao colocar as pessoas certas nos lugares certos, venceríamos. Ao mesmo tempo, discutimos anos sobre dificuldades na experiência do usuário, taxas desnecessárias de Bitcoin e riscos de segurança. Mas não estávamos completamente errados? E se essas dificuldades forem valores essenciais para nossa soberania? Se devêssemos aceitá-las ativamente e culturalmente?
Nosso verdadeiro objetivo não deve ser apenas facilitar, mas criar soluções para aqueles 50% de pessoas que realmente precisam de soberania — cidadãos de países em desenvolvimento que veem sua democracia a definhar, ou pessoas em países desenvolvidos que se dirigem a leis de privacidade semelhantes às da China ou Rússia.
Nosso objetivo não é lutar contra o governo, mas criar algo que eles não possam controlar completamente. Algo que não dependa de moedas fiduciárias, lojas de aplicativos, DNS, livros de ordens centralizados, redes sociais ou moedas estáveis centralizadas.
Em suma: precisamos criar um espaço onde as pessoas comuns não precisem esperar por permissão.
Essa é a verdadeira essência do valor humano e do futuro da criptomoeda: soberania individual, tecnologia imbatível e compromisso com a dignidade humana.