Da criança refugiada iraniana ao cripto-milionário: Como Kiarash Hossainpour perdeu sua fortuna em cinco anos

Kiarash Hossainpour personifica, como poucos, as oportunidades e riscos do início do boom das criptomoedas. O hoje jovem de 22 anos, berlinense de raízes iranianas, tornou-se o símbolo da riqueza digital conquistada rapidamente e perdida na mesma velocidade. Sua história mostra como origem pessoal, talento técnico e falta de experiência de vida podem levar a decisões de investimento perigosas.

As raízes de um empreendedor digital: o percurso de Kiarash Hossainpour de Berlim ao Bitcoin

Kiarash Hossainpour nasceu em 1999 em Berlim, filho de pais iranianos que buscaram refúgio na Alemanha antes das turbulências da Revolução Islâmica. Essa origem marcou profundamente sua família: seu pai, de origem abastada, tornou-se pobre devido às mudanças políticas em seu país — uma experiência que influenciou sua relação com o dinheiro. “Meu pai veio de uma família muito rica, que ficou pobre após a revolução”, explica Hossainpour. “Talvez por isso ele nunca deu muita importância ao dinheiro.”

Seu pai, também informático, deu-lhe um computador aos dez anos — com uma orientação clara: se Kiarash quisesse ganhar dinheiro online, tinha que aprender a programar primeiro. O jovem berlinense fez exatamente isso. Como autodidata, descobriu rapidamente a comunidade de jogos e, aos 13 anos, criou seu primeiro canal no YouTube. Mas Hossainpour queria mais do que apenas dar dicas de jogos como Grand Theft Auto. Começou a desenhar sites WordPress sob medida, vendendo-os por cerca de 30 dólares cada.

O momento decisivo: Bitcoins em vez de moedas tradicionais

Em 2014, Hossainpour recebeu seu primeiro pagamento em Bitcoins. Foi o ponto de virada. A moeda digital, descentralizada, fascinou-o. Era virtual, podia ser “moldada” em casa e era negociada por uma comunidade de empreendedores tecnológicos como uma moeda real. No final de 2015, deu o grande passo: investiu cerca de 40.000 euros em Bitcoins — uma quantia enorme para um rapaz de 16 anos. Seus pais perguntaram preocupados se aquilo era legal, se era dinheiro “de verdade” ou uma fraude.

No entanto, a fortuna de Hossainpour cresceu rapidamente. Isso motivou-o a usar seus ganhos para se promover como exemplo de sucesso. Criou um canal de YouTube de finanças, onde dava conselhos (relativamente responsáveis): “Invistam apenas o que podem perder, não o que precisam para viver.” Mas as fotos mostravam uma realidade diferente: o então jovem de cerca de 20 anos ao volante de um Rolls-Royce ou Lamborghini, fumando charutos cubanos — uma encenação surreal da riqueza rápida.

O sonho de riqueza rápida: como um influencer do YouTube ganhou milhões

No início dos seus 20 anos, Hossainpour já era um “influencer” com centenas de milhares de seguidores. Apresentava-se como um investidor estratégico, alguém que entendia o mercado e não vendia em pânico. Afirmava: “Não vendi durante altas de mercado descontroladas, e não vou vender em crashes.” Seus seguidores acreditavam nele — ou pelo menos, achavam que ele sabia o que fazia.

O Bitcoin era a base de sua fortuna. Em 2021, atingiu um recorde de cerca de 67.205 euros. Hossainpour estava no auge do sucesso. Seu nome era conhecido no mundo das criptomoedas, seus canais nas redes sociais cresciam exponencialmente, e sua riqueza parecia explodir.

Luna e a queda: o fracasso do investidor supostamente infalível

Então veio Luna — e com ela, a catástrofe. Em maio de 2022, uma forte queda do mercado fez a criptomoeda Luna perder 99% de seu valor. Hossainpour tinha investido fortemente nessa moeda e a promovido entusiasticamente em seu canal do YouTube. Depois, admitiu que seu “sexto sentido” falhou. Não previu a tragédia.

Em poucas semanas, perdeu até 90% de seu portfólio digital. De um dia para o outro, o milionário estava falido. O próprio Bitcoin caiu de seu pico de 67.205 euros para cerca de 22.542 euros — uma correção significativa, mas não um desastre como Luna.

Um exemplo de alerta: o que a história de Kiarash Hossainpour revela sobre criptomoedas

O consultor financeiro americano e apresentador Clark Howard descreveu a conduta de Hossainpour de forma dura: ele é “um homem irresponsável, que levou milhares de pessoas desavisadas à falência.” E de fato: quem seguiu o influencer e confiou em suas recomendações sofreu perdas financeiras consideráveis.

Por sua vez, Hossainpour mostrou-se inabalável — ou pelo menos externamente. Aos 22 anos, garantiu a jornalistas que ainda acreditava no Bitcoin e em outras criptomoedas. Sua explicação: “Perder faz parte do jogo. Isso fortalece o caráter.” Como “investidor estratégico”, não planeja vender suas posições, mas esperar por uma alta futura.

A história de Hossainpour é mais do que a de um influencer fracassado. É um caso didático de como origem pessoal, habilidades técnicas, falta de experiência de vida e o êxtase do boom das criptomoedas podem levar a investimentos em altas apostas — e arrastar outros na mesma direção. Sua origem familiar, marcada por perdas e mudanças econômicas, talvez devesse tê-lo tornado mais cauteloso. Mas, impulsionado pela riqueza rápida, tomou decisões cada vez mais arriscadas.

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