Acabei de saber de uma das histórias de fraude em criptomoedas mais loucas e, sinceramente, é inacreditável o descaramento com que esses tipos agiram. Então, em 2019, dois irmãos sul-africanos — Raees Cajee tinha 20 anos e o seu irmão mais novo, Ameer, tinha apenas 17 — lançaram uma plataforma chamada Africrypt. Prometeram aos investidores retornos diários de até 10% através de algoritmos secretos e operações de arbitragem. Soa familiar, certo? Um playbook clássico de esquema Ponzi.



É aqui que as coisas ficam mesmo interessantes. Estes miúdos não estavam a esconder-se. Estavam a exibir-se a grande estilo — Lamborghini Huracán, roupa de designer, a fazer viagens pelo mundo. Construíram toda uma imagem como os novos prodígios das criptomoedas. E as pessoas acreditaram. Milhares de investidores começaram a colocar dinheiro. Mas não havia qualquer infraestrutura real. Nada de auditoria, nada de licença, nada. Era literalmente só Raees Cajee e Ameer a receberem depósitos nas próprias contas, sem qualquer separação. O sistema todo funcionava com base em hype e confiança.

Depois, em April 13, 2021, boom. Vai um email a dizer que a plataforma tinha sido hackeada. Servidores comprometidos, carteiras esvaziadas, toda a história. Mas o senão é este — disseram aos investidores para NÃO reportarem às autoridades ou perderiam hipóteses de recuperação. Dias depois? Escritórios vazios, site fora do ar, telefones sem resposta. Os irmãos desapareceram.

Afinal, nunca foi uma tentativa de hack. A análise da blockchain mostrou movimentos internos de fundos. O dinheiro foi fragmentado em várias carteiras, passou por crypto mixers e foi enviado para o estrangeiro. Raees Cajee e Ameer já tinham desfeito o seu Lamborghini e imobiliário antes de desaparecerem com 3.6 billion rands — aproximadamente 240 milhões de dólares.

O que tornou tudo ainda pior foi o pesadelo legal. A África do Sul não tinha regulamentações de criptomoedas naquela altura, por isso praticamente não existia um enquadramento legal para os acusar de forma efetiva. Eles exploraram uma zona cinzenta total.

Eventualmente, as Swiss authorities abriram uma investigação por branqueamento de capitais. Afinal, os fundos passaram primeiro por Dubai, foram misturados e depois acabaram em Zurique. Em 2022, Ameer Cajee foi detido na Suíça ao tentar aceder a carteiras de Bitcoin. Mas, devido a opções de acusação fracas, foi libertado mediante fiança e, aparentemente, ficou em hotéis de luxo enquanto o caso se arrastava.

E quanto aos milhares de investidores? A maioria nunca mais viu o seu dinheiro. Raees Cajee e o seu irmão basicamente desapareceram da esfera pública. Toda a saga da Africrypt é, em grande medida, a tempestade perfeita de juventude, arrogância, zero regulamentação e a promessa de riqueza nas criptomoedas. É uma história de alerta que ainda hoje continua a atingir-nos em cheio.
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