Acabei de me deparar com uma das histórias mais fascinantes do mundo cripto - a história dos irmãos Winklevoss, que talvez tenham entendido melhor do que ninguém como lucrar com sua derrota.



Começa de forma clássica: jovens, ambiciosos estudantes de Harvard, gêmeos, que em 2002 criaram o HarvardConnection - uma rede social para a elite. Precisavam de um programador, encontraram Mark Zuckerberg. Mostraram a ele a visão, ele ouviu, acenou com a cabeça... e depois simplesmente roubou a ideia deles e lançou o Facebook. Os irmãos souberam pelo Harvard Crimson que seu programador virou concorrente.

Foi devastador. Mas esperem, porque aqui a história fica interessante.

Em 2008, durante o acordo, eles tiveram que escolher: dinheiro ou ações do Facebook? As ações eram uma aposta na roleta - a empresa poderia falir. Todos na mesma situação pegariam o dinheiro. Mas Tyler Winklevoss disse quatro palavras: "Escolhemos ações." O advogado dele provavelmente teve um ataque do coração.

Quando o Facebook estreou na bolsa em 2012, essas ações valiam 45 milhões de dólares e estavam quase valendo 500 milhões. Eles lucraram mais com o Facebook do que a maioria dos seus primeiros funcionários. Não ganharam a batalha, mas ganharam a guerra.

Mas essa não é a história completa dos irmãos Winklevoss. Após esse sucesso, tentaram investir em outras startups no Vale do Silício. Problema? Ninguém queria deles. Por quê? O dinheiro do Facebook era para eles uma "toxina" - nenhuma startup queria estar ligada a pessoas que Zuckerberg nunca apoiaria.

Então fugiram para Ibiza. E lá, em um clube, um estranho se aproximou com uma nota de dólar e uma palavra: "Revolução." Contou a eles sobre o Bitcoin.

Era 2013. O Bitcoin custava então 100 dólares, e quase ninguém tinha ouvido falar dele. Mas os irmãos Winklevoss, formados em economia, viram o que outros não viram - ouro digital com uma oferta limitada de 21 milhões.

Investiram 11 milhões de dólares. Era cerca de 1% de todo o Bitcoin em circulação - cerca de 100 mil BTC. Seus amigos devem ter pensado que eles estavam loucos. Criptomoedas? Era a moeda de traficantes de drogas e anarquistas.

Mas os irmãos Winklevoss entenderam algo que outros não: viram como a ideia de um acadêmico se transformou em uma empresa avaliada em centenas de bilhões. Sabiam que coisas impossíveis podem se tornar inevitáveis.

Quando o Bitcoin atingiu 20 mil dólares em 2017, seu investimento se transformou em mais de um bilhão de dólares. Tornaram-se alguns dos primeiros bilionários de Bitcoin confirmados no mundo.

Mas os irmãos Winklevoss não apenas esperaram a valorização - eles construíram infraestrutura. Em 2014, quando o ecossistema cripto desmoronava (Mt. Gox, prisões), eles fundaram a Gemini - uma das primeiras bolsas reguladas de criptomoedas nos EUA.

Outros operavam na zona cinzenta da legalidade. Os irmãos Winklevoss colaboraram com reguladores. Entendiam que, para as criptomoedas se tornarem mainstream, precisavam de uma infraestrutura a nível institucional. A Gemini obteve a licença BitLicense do estado de Nova York e construiu confiança onde outros não conseguiram.

Até 2021, a Gemini tinha uma avaliação de 7,1 bilhões de dólares. Hoje, ela suporta mais de 80 criptomoedas e possui ativos avaliados em mais de 10 bilhões de dólares.

A Winklevoss Capital investiu em 23 projetos de criptomoedas - desde Protocol Labs até Filecoin. Quando outras plataformas cripto falharam, a Gemini sobreviveu. Os irmãos entenderam que só a tecnologia não basta - é preciso aceitação regulatória.

A avaliação atual de seu patrimônio líquido é de cerca de 9 bilhões de dólares, e sua carteira de criptomoedas inclui cerca de 70 mil bitcoins, avaliados em 4,48 bilhões de dólares.

O que me intriga nisso tudo? Os irmãos Winklevoss aprenderam a perceber coisas que outros não veem. Perderam para o Facebook, mas lucraram com isso. Perderam no Vale do Silício, mas encontraram um novo mundo nas criptomoedas. Foram considerados aqueles que perderam a festa, mas na verdade chegaram na próxima com antecedência.

Esta não é uma história de sorte. É uma história de como ler o mercado quando os outros estão cegos.
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