A gestora de fundos Cathie Wood, através da sua entidade ARK Invest, juntamente com a empresa de serviços financeiros nativos de Bitcoin Unchained, publicou recentemente um relatório técnico intitulado «Bitcoin e Computação Quântica». Este documento afirma que as tecnologias atuais de computadores quânticos estão longe de representar uma ameaça à segurança criptográfica do Bitcoin. O relatório desmistifica o pânico de que o «Q-Day» (fim do mundo quântico) possa ocorrer de repente, destacando que a ameaça da tecnologia quântica se desenvolverá lentamente em cinco fases, e que a rede do Bitcoin dispõe de tempo suficiente e de soluções técnicas para evoluir para uma proteção contra ataques quânticos.
(Prévia: a computação quântica não vai acabar com as criptomoedas, apenas as tornará mais robustas)
(Complemento de contexto: artigo da a16z: Quais riscos a computação quântica traz às criptomoedas?)
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À medida que a tecnologia de computação quântica avança continuamente, a questão «Quando os computadores quânticos irão quebrar o Bitcoin?» tornou-se uma sombra persistente na mente dos investidores em ativos digitais. Para abordar essa preocupação, Cathie Wood, líder da ARK Invest, juntamente com a empresa de serviços financeiros nativos de Bitcoin Unchained, lançou recentemente um relatório de grande impacto intitulado «Bitcoin e Computação Quântica».
Este relatório foi elaborado pelos cofundadores da Unchained, Dhruv Bansal, pelo diretor de pesquisa de custódia, Tom Honzik, e pelo vice-gerente de portfólio de ativos digitais da ARK Invest, David Puell. Com uma abordagem técnica rigorosa, o documento analisa profundamente o impacto real que o avanço quântico pode ter na rede do Bitcoin.
No mercado, há uma narrativa de fim do mundo conhecida como «Q-Day», que preocupa que um dia um supercomputador quântico possa surgir de repente, quebrando instantaneamente a criptografia de curva elíptica (ECC) que sustenta o Bitcoin, levando a uma queda catastrófica no mercado de criptomoedas.
No entanto, este relatório refuta firmemente essa hipótese dramática de um evento único e repentino. A equipe de pesquisa aponta que os sistemas quânticos atuais, tanto em termos de capacidade de cálculo quanto de estabilidade, estão longe de atingir o nível necessário para comprometer a segurança do Bitcoin. A ARK Invest divide o desenvolvimento dos riscos quânticos em cinco fases e enfatiza que, mesmo que no futuro os sistemas quânticos atinjam esses níveis, o risco será gradual e de alto custo para os atacantes.
Segundo dados do relatório, aproximadamente 13 milhões de bitcoins (65,4% da oferta total) estão armazenados em endereços considerados mais vulneráveis a ataques quânticos, classificados como «não vulneráveis».
No entanto, cerca de 1,7 milhão de bitcoins (8,6%) estão em endereços P2PK antigos, geralmente considerados desconectados, incluindo a carteira de Satoshi. Além disso, aproximadamente 5,2 milhões de bitcoins (26,4%) estão em endereços reutilizáveis ou P2TR, considerados de alto risco. Em suma, cerca de 35% da oferta de bitcoins apresenta potencial exposição a riscos quânticos.
O relatório levanta uma reflexão macro importante: se a computação quântica realmente alcançar avanços capazes de quebrar a criptografia convencional, o impacto inicial não será o Bitcoin, mas sim a infraestrutura de segurança da internet global, incluindo sistemas bancários, comunicações governamentais e militares.
Essa crise de segurança global certamente mobilizará governos, gigantes tecnológicos e a academia para uma resposta coordenada e investimentos maciços. Nesse cenário de «o céu está caindo, mas alguém segura», a comunidade do Bitcoin terá um tempo de aviso bastante amplo, podendo acompanhar a atualização da segurança cibernética global e migrar gradualmente a rede para mecanismos criptográficos mais seguros.
Para tranquilizar os investidores preocupados com a segurança de seus ativos, o relatório oferece uma mensagem de esperança: «Boa notícia, já sabemos como defender contra ataques quânticos.»
A pesquisa indica que a maioria dos bitcoins atualmente em circulação está armazenada em endereços modernos com maior resistência à computação quântica. Apenas uma pequena parcela, que utiliza endereços de chave pública exposta (incluindo, segundo relatos, a carteira de Satoshi em estado de hibernação), apresenta vulnerabilidade potencial. Contudo, o relatório reforça que esses endereços frágeis só estarão realmente em risco de serem roubados quando a «fase 3» do desenvolvimento quântico — ou seja, quando um computador quântico capaz de quebrar chaves ECC de 256 bits (CRQC) surgir — for atingida.
Resumindo, a computação quântica representa um desafio de longo prazo para o Bitcoin nas próximas décadas, mas não uma ameaça iminente. Na hora certa, a comunidade poderá realizar hard forks para atualizar a rede, introduzindo algoritmos resistentes a ataques quânticos, e solicitar aos usuários que migrem seus ativos para novos endereços mais seguros.
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