Rebalanceamento de 2025: Quando a Upbit Escolhe o Caminho Internacional em Vez de 'Kimchi Coin'

A principal bolsa de criptomoedas da Coreia do Sul, Upbit, enviou recentemente um sinal notável através da sua política de listagem. Entre os 54 tokens adicionados em 2025, apenas um projeto de origem doméstica – Story (IP) – foi selecionado. O restante são ativos internacionais já estabelecidos em grandes exchanges globais. Este número não é por acaso; reflete uma mudança profunda na estratégia da indústria blockchain sul-coreana.

Dados Reveladores: Quando Projetos Nacionais São ‘Excluídos’

A Upbit detém cerca de 70% do volume de negociação de criptomoedas na Coreia, tornando suas decisões uma espécie de bússola para todo o mercado doméstico. No entanto, essa escolha cuidadosa da Upbit revela uma realidade alarmante.

Ela não só limita a listagem de ‘Kimchi coins’ – termo coloquial para projetos de criptomoedas desenvolvidos por equipes sul-coreanas – como também intensifica a remoção de tokens nacionais. Em 2025, a Upbit removeu dez criptomoedas de sua plataforma, sendo sete de origem sul-coreana. Isso equivale a uma decisão sistêmica: priorizar ativos globais, deixando de lado inovações locais.

Esse desequilíbrio contrasta fortemente com o período de 2017-2018, quando as ‘Kimchi coins’ lideraram as altas históricas. Agora, ao invés de heróis do mercado, elas se tornaram ‘queijos estrangeiros’ na carteira de investimentos nacional.

Estrutura Legal: Pressão Silenciosa que Empurra as Exchanges para o Limite

O principal motivador por trás da postura ’ conservadora’ da Upbit é a pressão legal do governo sul-coreano. Após a implementação da Travel Rule do FATF e diretrizes anti-lavagem de dinheiro (AML) mais rigorosas, as exchanges estão sob uma supervisão sem precedentes.

As autoridades deixaram claro: se um token listado pela Upbit gerar problemas legais ou escândalos de segurança, a exchange será responsável. As penalidades podem incluir a expulsão do sistema bancário sul-coreano – um ‘falecimento clínico’ para qualquer exchange.

Por isso, a Upbit e seus principais concorrentes (Bithumb, Korbit) criaram processos de aprovação extremamente rigorosos para projetos nacionais:

  • Auditoria de conformidade com a FIU Coreana: obrigatória, custosa e demorada
  • Verificação do histórico de toda a equipe: dispensada para tokens internacionais já estabelecidos
  • Parecer jurídico de escritórios de advocacia sul-coreanos: obrigatório, geralmente dispensado para os top-5 globais
  • Demonstração de aplicação no mercado sul-coreano: padrão três vezes mais rigoroso que apenas mostrar volume global

Esse procedimento funciona como uma barreira offshore: startups blockchain sul-coreanas enfrentam custos elevados, processos demorados e resultados incertos. Enquanto isso, tokens internacionais só precisam ‘demonstrar’ sucesso em outros mercados – sua existência já é prova suficiente.

Regulamentação ‘Reativa’ em vez de ‘Proativa’: Estratégia Equivocada

Comparações com outros países revelam problemas mais evidentes. Mercados como os Emirados Árabes Unidos e Suíça criaram ‘caixas de areia’ regulatórias, permitindo testes sob supervisão controlada. O Japão, embora rigoroso, possui um processo transparente na FSA (FSA) – empresas sabem exatamente o que fazer.

Por outro lado, o modelo sul-coreano é descrito por especialistas como uma ‘regulação reativa’ – leis que só se esclarecem após problemas surgirem. Isso cria um ambiente de incerteza: as exchanges não sabem onde estão os limites reais, e acabam impondo proibições preventivas por conta própria. Resultado: uma ‘frieza’ desnecessária que se espalha por todo o ecossistema.

Além disso, a Coreia depende de contas bancárias verificadas com nome real para transações cripto. Isso adiciona uma camada extra de controle: bancos tradicionais, receosos de punições, impõem condições ainda mais rígidas. Essa dinâmica funciona como um ‘cadeado triplo’ ao redor de exchanges e startups.

Mudança de Rumos dos Chaebols Coreanos: De Vontade Pública a Silêncio Estratégico

Um sinal particularmente importante é a retirada dos chaebols – gigantes empresariais que planejavam projetos blockchain ambiciosos.

Grandes nomes como Samsung, LG, Hyundai tinham planos de desenvolver plataformas blockchain, emitir tokens ou construir ecossistemas Web3 públicos. Mas, diante do cenário regulatório atual, esses conglomerados estão mudando de estratégia. Em vez de projetos públicos voltados ao consumidor, focam em soluções blockchain privadas, acessíveis apenas a empresas – setores menos visados pelas autoridades.

Essa mudança não é uma recuada na ambição; é uma estratégia de sobrevivência. Os chaebols sabem que ‘ser mais inteligente é não queimar tudo’: mantêm a chama do Web3 acesa, mas na sombra.

Investidores Comuns: Para Onde São Empurrados?

Para milhões de investidores individuais na Coreia, essa tendência cria uma nova realidade: seus portfólios se tornam cada vez mais ‘internacionalizados’ por força das circunstâncias.

Os benefícios de investir em ‘Kimchi coins’ – ou seja, participar de empresas ou ideias locais – se esfumaram. Agora, eles lidam principalmente com Bitcoin, Ethereum, Solana e outros tokens globais. Por um lado, isso é positivo (liquidez mais profunda, preços mais estáveis, e o efeito ‘Kimchi premium’ – quando o preço das criptomoedas na Coreia é maior que em outros lugares – diminuiu). Mas, por outro, significa que investidores sul-coreanos perdem a oportunidade de ‘captar cedo’ projetos blockchain locais.

Dados de mercado mostram que os pares envolvendo algumas ‘Kimchi coins’ restantes têm apresentado forte volatilidade, tornando-se ‘penny stocks’ em um ‘lago’ cada vez menor. Investidores buscando maior foco migram para tokens maiores, com maior liquidez e menor risco de concentração.

Especialistas Alertam: O Equilíbrio Está Sendo Quebrado

Analistas atentos ao mercado blockchain sul-coreano alertam. Um analista sênior de uma consultoria fintech em Seul comenta: “Estamos testemunhando uma redefinição de talentos e capital. Quando uma grande exchange como a Upbit lista apenas um projeto doméstico em meio a dezenas de internacionais, a mensagem é clara: se quer sucesso no Web3, comece fora do país.”

Isso equivale a destruir um caminho natural de crescimento. Em vez de projetos sul-coreanos ‘crescerem’ na Upbit com apoio de investidores locais, precisam migrar para exchanges estrangeiras, competindo com centenas de outros projetos sem suporte do mercado doméstico.

A comunidade de desenvolvedores blockchain também expressa preocupação. Recordam a era dourada de 2017-2018, quando as ‘Kimchi coins’ lideraram bull runs, e comparam ao cenário atual: “O quadro regulatório atual prioriza a proteção do investidor a ponto de sufocar a inovação necessária para o amadurecimento do setor.”

Limites Perigosos: Proteção versus Destruição

Este é um paradoxo profundo. As regulações criadas pelos legisladores sul-coreanos para proteger investidores – um objetivo nobre – acabam por restringir o próprio desenvolvimento do setor. É como entrar numa cela para garantir segurança, mas acabar preso lá dentro.

Especialistas ressaltam que, se a Coreia não estabelecer um quadro legal claro, com avanços – como a Lei de Ativos Digitais Básicos, atualmente em atraso no parlamento – ela ficará para trás.

Países como Japão, Cingapura e a União Europeia estão construindo estruturas regulatórias abrangentes, que protegem investidores e estimulam inovação. Enquanto isso, a Coreia, que tinha potencial para ser um centro global de blockchain, se limita a si mesma.

Cadeia de Eventos: De Upbit para o Setor Como um Todo

A decisão da Upbit não é um evento isolado. Outras grandes exchanges sul-coreanas, como Bithumb e Korbit, seguem o mesmo padrão, refletindo uma concordância setorial em limitar riscos legais ao evitar projetos domésticos.

Esse efeito se espalha rapidamente:

  1. Startups locais: enfrentam dificuldades na listagem, optando por exchanges estrangeiras ou abandonando projetos.
  2. Venture capital: busca mercados mais abertos, dificultando o apoio a startups sul-coreanas.
  3. Talentos: desenvolvedores de destaque migram para Cingapura, UE ou Japão.
  4. Chaebols: continuam na sombra, com projetos B2B privados, perdendo oportunidades de liderar o setor público.

FAQ: Perguntas Frequentes

Por que apenas um ‘Kimchi coin’ foi listado, enquanto há centenas de projetos novos no mundo?

Porque o quadro regulatório sul-coreano aplica padrões diferentes a projetos domésticos – mais rígidos, mais caros – em comparação com tokens internacionais já negociados em grandes exchanges.

A Upbit é a única exchange que limita ‘Kimchi coins’?

Não. Bithumb, Korbit e outras grandes plataformas também adotam políticas semelhantes. É uma realidade do setor, não exclusiva da Upbit.

O ‘Kimchi premium’ desapareceu completamente?

Reduziu-se significativamente e se estabilizou, principalmente porque a liquidez de tokens internacionais na Upbit é maior, aproximando os preços locais dos globais.

Chaebols sul-coreanos ainda se interessam por blockchain?

Sim, mas mudaram de estratégia. Em vez de projetos públicos voltados ao consumidor, focam em soluções B2B privadas, menos visíveis às autoridades.

Se o quadro regulatório não mudar, o que acontecerá?

A Coreia continuará perdendo talentos, capital e oportunidades. Países como Cingapura, Japão e UE dominarão o mercado, deixando a Coreia de fora do mapa global de blockchain.

Conclusão: Um Chamado à Legislação

Os dados da Upbit – apenas um ‘Kimchi coin’ entre 54 projetos novos – não são um caso isolado. São um alerta claro: a Coreia do Sul está diante de uma encruzilhada.

De um lado, proteção e segurança; do outro, oportunidades e inovação. Mas ambos dependem de uma legislação inteligente.

A responsabilidade agora é dos legisladores. Devem criar um quadro legal claro, progressista – não apenas para ‘ativar’ a listagem de projetos domésticos na Upbit e demais exchanges, mas para que a Coreia possa competir globalmente em blockchain e ativos digitais.

Caso contrário, a saída de projetos, capital e talentos se tornará uma tendência irreversível.

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