Dalio alerta: Estamos à beira de uma "guerra de capital"

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O fundador do Fundo Bridgewater, Ray Dalio, alertou que, num contexto de tensões geopolíticas e maior volatilidade nos mercados de capitais, o mundo está à beira de uma “guerra de capitais”.

Em 3 de fevereiro, segundo a CNBC, Dalio afirmou numa entrevista na cimeira mundial de governos em Dubai, Emirados Árabes Unidos, que a “guerra de capitais” refere-se ao uso de armas financeiras através de medidas como embargos comerciais, bloqueio de acesso aos mercados de capitais ou utilização de dívida como alavanca.

Este investidor lendário destacou que, embora ainda não tenhamos entrado na “guerra de capitais”, estamos muito próximos desse limite, e o medo mútuo pode facilmente empurrar o mundo para um conflito onde o dinheiro é a arma. Ele apontou que as ações recentes do governo Trump na Groenlândia já aumentaram a tensão. Segundo a Xinhua, anteriormente, o governo Trump ameaçou iniciar uma guerra comercial com a Europa se suas exigências sobre a Groenlândia, território dinamarquês, não fossem atendidas, e até considerou o uso de força militar.

Investidores europeus com ativos em dólares temem sanções, enquanto os EUA também estão preocupados com a impossibilidade de obter apoio de capitais europeus. Dados do Citibank indicam que, de abril a novembro do ano passado, 80% das compras estrangeiras de títulos do Tesouro dos EUA foram feitas por investidores europeus. Dalio reforçou que, “o capital e o dinheiro são essenciais”, e que em todo o mundo estão a ser implementados controles de capitais, com fundos soberanos e bancos centrais já a preparar-se para isso.

Em tempos de forte volatilidade, Dalio reiterou que o ouro continua a ser o melhor ativo de refúgio, aconselhando os investidores a manterem carteiras diversificadas para enfrentar a incerteza.

Risco de “guerra de capitais” aumenta significativamente

Dalio afirmou claramente que o mundo está “à beira”, o que significa que, embora ainda não tenhamos entrado na “guerra de capitais”, estamos bastante próximos. “É fácil ultrapassar a linha e entrar na guerra de capitais, devido ao medo mútuo”, disse.

Ele destacou especialmente a preocupação dos investidores europeus com ativos em dólares, receando sanções. Ao mesmo tempo, os EUA temem não conseguir acesso a capitais ou perder o apoio de investidores europeus. Este medo bidirecional aumenta o risco de uma “guerra de capitais”.

Dalio apontou que os controles de capitais estão a acontecer globalmente, com fundos soberanos e bancos centrais a preparar-se para responder. Ele enfatizou: “Estamos à beira — isso não significa que já estamos na guerra de capitais, mas é uma preocupação legítima.”

Ele citou exemplos históricos para alertar sobre os riscos atuais. Segundo Dalio, a “guerra de capitais” sempre esteve relacionada com “conflitos importantes”. Antes da entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial, os EUA impuseram sanções ao Japão, agravando a disputa entre os dois países. Dalio afirmou:

“Podemos imaginar que o mundo de hoje tem situações semelhantes, e até que líderes de diferentes países já discutiram a interdependência entre os EUA e a Europa.”

Ele explicou que o défice comercial é o oposto do capital, existindo desequilíbrios de capital que podem ser utilizados como armas de guerra.

Historicamente, as “guerras de capitais” costumam envolver medidas como controles cambiais e de capitais. Dalio alertou que a atual tensão geopolítica tem semelhanças com ambientes que levaram às “guerras de capitais” no passado.

Política tarifária de Trump aumenta volatilidade do mercado

Desde que voltou à Casa Branca no ano passado, Trump implementou uma série de tarifas punitivas contra parceiros comerciais e adversários políticos, que posteriormente foram parcialmente revertidas. Essas decisões provocaram forte volatilidade nos mercados financeiros.

A postura dura do governo Trump em relação à Groenlândia agravou ainda mais a tensão. Este episódio evidencia a fragilidade do atual ambiente geopolítico e o impacto potencial da incerteza política nos fluxos globais de capitais.

A imprevisibilidade das tarifas não só afeta as relações comerciais, como também abala a confiança nos mercados de capitais, aumentando as preocupações dos investidores com controles de capitais e a utilização de instrumentos financeiros como armas.

O ouro continua a principal ferramenta de proteção

Apesar de uma recente forte venda no mercado do ouro, Dalio insiste que o ouro continua a ser o melhor local para guardar fundos. Até terça-feira, o ouro e a prata mostraram sinais iniciais de recuperação.

“Não se deve julgar com base no dia a dia”, afirmou Dalio, quando questionado se as recentes oscilações de preço deveriam questionar o papel do ouro como refúgio mais seguro de capital. Ele destacou que o ouro subiu cerca de 65% em relação ao ano passado, tendo caído cerca de 16% do pico, e que os investidores não devem focar excessivamente nas flutuações de curto prazo.

Dalio aconselhou que bancos centrais, governos ou fundos soberanos considerem manter uma proporção de ouro nas suas carteiras de investimento. “O ouro é uma ferramenta de diversificação muito eficaz, que pode proteger contra o desempenho fraco de partes da carteira”, disse.

Ele reforçou que o ouro, como instrumento de diversificação, tem um desempenho particularmente forte em tempos difíceis, embora seja relativamente mais fraco em períodos de prosperidade, sendo uma proteção eficaz no geral. “Acho que o mais importante é ter uma carteira diversificada”, concluiu Dalio.

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