1932 também foi assim! A concentração do mercado de ações dos EUA alta não é assustadora, o verdadeiro perigo é que está demasiado caro

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Na quarta-feira, o colunista do The Financial Times do Reino Unido, Robert Armstrong, publicou um artigo aprofundado sobre a concentração do mercado de ações dos EUA, discutindo o fenômeno atual de alta concentração em poucos gigantes tecnológicos e se essa concentração realmente implica um aumento do risco de mercado.

Armstrong começa descrevendo um dia de mercado bastante dramático: após a Anthropic, uma empresa de inteligência artificial, lançar uma nova ferramenta de automação jurídica, as ações de empresas de software e serviços profissionais caíram mais de 3%. No entanto, os gigantes tecnológicos também não escaparam, sendo que setores tradicionais como energia, telecomunicações, bens de consumo e materiais se tornaram os vencedores. Este exemplo demonstra que o panorama do mercado está mudando.

O ponto central de Armstrong é: a concentração de mercado por si só não é assustadora; o que realmente deve ser observado é a alta avaliação. Embora as ações Mag7 de tecnologia não dominem mais o mercado como há alguns meses, a concentração do índice S&P 500 ainda é bastante elevada. Mais importante ainda, dados históricos mostram que essa concentração não é uma anomalia; algo semelhante ocorreu em 1932.

Concentração de mercado: seis empresas sustentam um terço

Quão concentrado está realmente o mercado de ações dos EUA atualmente? Armstrong fornece dados detalhados. Apenas seis empresas representam um terço do valor de mercado total do S&P 500, sendo que a Nvidia sozinha responde por 7%. Se considerarmos as 62 maiores empresas, elas juntas representam dois terços do valor de mercado do índice.

Do ponto de vista do lucro líquido, a situação é um pouco diferente, mas essencialmente similar. Essas seis gigantes contribuem com 27% do lucro líquido, enquanto as 62 maiores respondem por 63%. Armstrong aponta que, isso significa que as maiores empresas tendem a ter “valores de avaliação mais altos — relação preço/lucro” do que as menores.

Essa concentração levanta uma questão que muitos analistas estão se perguntando: será que a alta concentração de valor de mercado torna o mercado mais perigoso? Os investidores deveriam, em relação ao peso de mercado, reduzir a alocação nas maiores empresas ou setores?

A história nos ensina: a concentração é a norma

Armstrong cita estudos de Per Bye, Jens Soerlie Kvaerner e Bas Werker, que fornecem evidências históricas convincentes. Eles analisaram dados de todas as empresas negociadas nas principais bolsas dos EUA desde 1926, incluindo valor de mercado e diversos indicadores de lucratividade.

Os resultados são surpreendentes. Os autores do estudo escrevem:

A importância relativa das Mag7 não é nada de especial. Por exemplo, de 1930 a 1960, sete empresas detinham uma fatia semelhante. “O pico ocorreu em maio de 1932, quando AT&T, Standard Oil, Consolidated Gas de Nova York, General Motors, DuPont, Reynolds Tobacco e United Gas Improvement juntas representavam cerca de um terço do valor de mercado total.”

Isso mostra que a concentração de mercado não é uma novidade contemporânea, nem uma consequência exclusiva da era tecnológica. Na era industrial, um padrão semelhante de concentração já existia. Em outras palavras, a dominação de mercado por algumas grandes empresas parece ser uma norma nos mercados de capitais.

A pesquisa também revelou uma descoberta importante: os fundamentos das empresas (como receita e lucro) realmente acompanham as mudanças na concentração de valor de mercado, mas essa correlação é frouxa e apresenta oscilações cíclicas.

O estudo também aponta que, quando a concentração de valor de mercado atinge níveis extremos (ou seja, quando o número de empresas que representam um terço do valor de mercado cai para níveis históricos baixos, atualmente abaixo de 0,5%), a participação dessas maiores empresas na receita, lucro e fluxo de caixa total está, na verdade, em mínimos históricos, cerca de um quinto.

Então, uma alta concentração também indica um retorno de longo prazo baixo? O artigo afirma:

Sozinha, a concentração de mercado realmente tem uma previsão negativa de retorno (alta concentração, retorno futuro baixo), mas, ao controlar os fatores de avaliação, isso não é mais verdade… Mantendo a avaliação constante, uma maior concentração está, na verdade, associada a retornos futuros mais altos!

Modelos matemáticos confirmam: a concentração é uma consequência natural

A segunda parte do artigo usa modelos matemáticos para reforçar ainda mais a ideia de que a concentração de mercado é uma ocorrência normal. O estudo utilizou um modelo baseado em “processo de difusão de movimento geométrico padrão”, incorporando “fatores de mercado comuns e choques específicos de empresas”.

Especificamente, nesse modelo, os retornos seguem um processo aleatório. Pode-se imaginar o valor de mercado de uma empresa como sendo continuamente afetado por diversos choques — de produtividade e inovação, liderança boa ou ruim, sorte e azar. Com o passar do tempo, a maioria das empresas permanece pequena (seus impactos positivos e negativos se cancelam), enquanto algumas poucas recebem uma quantidade significativa de impactos positivos e crescem para se tornarem gigantes.

Para usar uma analogia, o mercado de ações é como um jogo contínuo de dados. A maioria dos jogadores terá resultados médios, mas sempre há alguns com sorte excepcional, lançando números altos repetidamente. Isso não é estranho, é uma consequência natural da probabilidade. Da mesma forma, a concentração de mercado é uma consequência do funcionamento natural do mecanismo de mercado.

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