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Por que os ETFs internacionais têm um desempenho inferior aos mercados dos EUA — E por que isso pode não importar
A narrativa é familiar para muitos investidores: ações internacionais têm ficado atrás do S&P 500 nos últimos 15 anos, e os ETFs internacionais sofrem a maior parte dessa crítica. É fácil rotular qualquer ETF internacional como um investimento “ruim” apenas com base em métricas de desempenho. Mas essa perspetiva ignora um ponto crucial sobre como os ETFs internacionais realmente funcionam e o que eles foram desenhados para alcançar. O ETF Vanguard Total International Stock (NASDAQ: VXUS) é um exemplo clássico — um fundo fundamentalmente sólido que sofre de uma compreensão generalizada equivocada.
O erro que muitos investidores cometem é avaliar os ETFs internacionais exclusivamente pelo desempenho relativo em relação aos benchmarks dos EUA. No entanto, comparar fundos internacionais ao S&P 500 requer entender o que cada investimento realmente representa e por que suas trajetórias de desempenho divergem de forma tão dramática.
Como os ETFs internacionais e os mercados dos EUA são estruturalmente diferentes
Para entender por que os ETFs internacionais tiveram um desempenho inferior, comece por examinar a composição setorial de cada mercado. O S&P 500 está fortemente concentrado em Tecnologia, que atualmente representa cerca de 33% do índice. Seguem-se os Financeiros (13%), Consumo Discricionário (11%) e Serviços de Comunicação (10%).
Agora compare isso com os principais ETFs internacionais. O Vanguard Total International Stock, que acompanha o índice FTSE Global All Cap ex-US, mantém pesos setoriais muito diferentes: Financeiros (23%), Industriais (15%), Tecnologia (14%) e Consumo Discricionário (10%). A diferença é evidente. Os mercados internacionais têm uma exposição significativamente menor à tecnologia — aproximadamente metade da dos EUA — e estão muito mais concentrados em serviços financeiros e produção industrial.
Essa diferença estrutural é a causa principal das trajetórias de retorno divergentes. Os mercados de ações internacionais são inerentemente mais cíclicos, ou seja, mais sensíveis aos ciclos económicos amplos. Dependem menos de inovação e desenvolvimento de software e mais de manufatura, banca e indústrias tradicionais. Quando uma economia se torna desproporcionalmente focada em tecnologia — como os EUA fizeram na última década — os mercados com forte peso em tecnologia naturalmente superam aqueles sem essa exposição.
Por que o boom tecnológico nos EUA deixou os ETFs internacionais para trás
Os últimos 15 anos foram marcados por disrupção tecnológica e, mais recentemente, pela revolução da inteligência artificial. Empresas que impulsionam essa transformação — desde fabricantes de semicondutores até gigantes de software — são predominantemente listadas nos EUA. Mercados com concentração nesses setores entregaram, naturalmente, retornos superiores.
Isso não significa que os ETFs internacionais sejam mal construídos ou mal geridos. Simplesmente reflete uma realidade fundamental: quando um setor ou região geográfica domina os retornos, os investimentos em outros lugares ficarão atrás. Considere o Schwab U.S. Dividend Equity ETF (NYSEMKT: SCHD), que foca em empresas que pagam dividendos e possuem balanços sólidos. Este fundo teve um desempenho muito abaixo do esperado de 2023 a 2025, não porque seja um fundo ruim, mas porque sua estratégia — priorizar estabilidade de dividendos em vez de crescimento — estava fora de moda durante um rally tecnológico. A estratégia em si continua sólida; foi apenas uma aposta errada durante esse ciclo de mercado específico.
Os ETFs internacionais enfrentam uma situação semelhante. Quando os mercados se afastam da tecnologia e descobrem melhor valor relativo em setores cíclicos como manufatura e bancos, a diversificação internacional provavelmente voltará a mostrar seu valor.
Avaliando os ETFs internacionais pelos seus méritos reais
O erro crítico na avaliação de fundos é confundir desempenho inferior com má qualidade do fundo. O Vanguard Total International Stock entrega exatamente o que promete: exposição ampla e de baixo custo aos mercados de ações internacionais.
Considere as características reais do fundo. Ele oferece acesso a mais de 8.500 ações individuais de dezenas de países e regiões. Seus 133 bilhões de dólares em ativos sob gestão garantem alta liquidez e facilidade de negociação. Mais importante, sua taxa de despesa é de apenas 0,05% — quase insignificante do ponto de vista de custos.
Essas métricas definem como deve ser um fundo de qualidade. O fundo não tenta superar o S&P 500; tenta oferecer aos investidores acesso acessível e simples a um segmento inteiro de mercados globais. Quando avaliados por esses critérios — abrangência, liquidez, eficiência de custos — ETFs internacionais como o VXUS representam um valor excepcional.
Compreendendo a diversificação nos mercados globais
A justificativa de investimento em ETFs internacionais baseia-se fundamentalmente nos princípios de diversificação. Mercados que têm desempenhos diferentes oferecem proteção ao portfólio. Um portfólio composto inteiramente por ações dos EUA apresenta risco concentrado às condições econômicas e ciclos de mercado americanos. Adicionar exposição internacional introduz ativos que respondem de forma diferente a choques econômicos.
É exatamente por isso que a estrutura do mercado importa. Como os mercados internacionais e dos EUA são composicionalmente diferentes, eles produzem retornos distintos em diferentes períodos. Essa divergência é uma característica, não um problema. Significa que os ETFs internacionais cumprem uma função específica na carteira: eles não maximizam os retornos durante os booms tecnológicos nos EUA, mas oferecem estabilidade e oportunidades em períodos em que as avaliações americanas parecem esticadas ou quando os mercados internacionais entram em fase de valorização.
A decisão de investimento: deve-se possuir ETFs internacionais?
Para investidores que constroem carteiras diversificadas, os ETFs internacionais merecem um lugar com base nos fundamentos, não em comparações de desempenho de curto prazo. A questão não é se um ETF internacional supera o S&P 500 em um determinado ano ou década. A questão é se sua carteira se beneficia de exposição a diferentes mercados, ciclos econômicos e motores de crescimento.
O Vanguard Total International Stock exemplifica esse princípio: é um fundo excepcionalmente bem construído, oferecendo tudo o que os investidores devem desejar — baixos custos, ampla diversificação e exposição significativa às oportunidades de crescimento global. O fato de muitos investidores descartarem esses fundos apenas com base no desempenho recente mostra como mal-entendidos sobre estratégias de investimento podem distorcer o julgamento.
No final, os ETFs internacionais não são para todos. Mas, para quem busca uma diversificação genuína na carteira com custos mínimos, continuam sendo uma ferramenta eficaz e muitas vezes negligenciada numa estratégia de investimento abrangente.