Paralisação docente nacional: a marcha ao Congresso concentra-se às 11:30 e paralisa cinco milhões de estudantes

Na segunda-feira, 2 de março, os sindicatos de professores convocaram uma mobilização de alcance nacional que teve como ponto de convergência o horário de concentração às 11h30 no Cabildo, avenida de Mayo e Bolívar, para depois marchar em direção ao Congresso. Este dia de greve no setor educativo deixou salas de aula vazias em todo o país e afetou o início do ciclo letivo de 2026, com aproximadamente cinco milhões de estudantes sem aulas devido à medida de força convocada pela Confederação de Trabalhadores da Educação (Ctera).

A decisão de paralisar as atividades foi tomada nos Congressos Ordinário e Extraordinário da organização em 20 de fevereiro, consolidando-se como a primeira grande mobilização de professores em seis anos na província de Buenos Aires desde que Kicillof assumiu o governo provincial. Estabelecimentos públicos e privados aderiram à greve, demonstrando a unidade dos sindicatos de professores frente às políticas educativas do Governo nacional.

Ponto de concentração: como foi o horário da mobilização desde as 11h30

A partir das 11h30 da manhã, professores de toda a região começaram a reunir-se no Cabildo para iniciar a marcha em direção à sede do Congresso. A coluna da Ctera chegou ao meio-dia, liderada por Sonia Alesso, Secretária Geral da organização, que afirmou que “estamos no início de um ano muito, muito complexo”. Este horário de concentração foi estratégico para visibilizar a medida de força durante as primeiras horas da tarde, garantindo cobertura mediática e maior repercussão política.

A mobilização estendeu-se por todo o país, desde La Quiaca até Tierra del Fuego, segundo relato da própria Confederação em suas redes sociais. A amplitude geográfica da manifestação destacou a dimensão nacional do conflito entre o setor de professores e as políticas educativas implementadas.

As reivindicações unificadas dos sindicatos: salários, FONID e orçamento educativo

As organizações de professores apresentaram uma pauta de demandas que abrangia múltiplos aspectos da política educativa e laboral. O foco central girou em torno da convocação imediata de negociações salariais nacionais que permitissem acordar aumentos capazes de superar a inflação e recuperar o poder de compra dos trabalhadores da educação.

Além disso, os sindicatos exigiram a restituição do FONID (Fundo Nacional de Incentivo Docente) e de outros fundos nacionais para a educação que, segundo suas denúncias, foram cortados pelo Governo de Milei. Entre as demandas estavam o aumento urgente do orçamento educativo e a aprovação de uma nova Lei de Financiamento Educativo que garantisse a estabilidade e expansão do sistema público de ensino.

Maria Laura Torre, secretária geral adjunta do Suteba, resumiu o sentimento dos manifestantes ao afirmar: “Mais uma vez nas ruas, em uma greve nacional desde La Quiaca até Tierra del Fuego. Em todo o país denunciamos que não há financiamento para a Educação e exigimos que nos devolvam o FONID”. Esta declaração refletia a frustração acumulada após um ano completo de ações, mobilizações e medidas de força sem resultados satisfatórios.

Postura de organizações aliadas: defesa de direitos e rejeição a reformas regressivas

O Sindicato Argentino de Professores Privados emitiu um comunicado alinhado às exigências da Ctera, enfatizando que “a democracia argentina sustenta-se sobre três pilares irrenunciáveis: Memória, Verdade e Justiça”. Nessa perspectiva, expressaram seu rechazo tanto ao projeto de Modernização Laboral quanto às iniciativas de reforma educativa impulsionadas pelo Governo nacional, considerando-as um grave retrocesso histórico em matéria de direitos laborais, educativos e sociais.

Hugo Yasky, secretário geral da CTA, utilizou seu perfil na X para apoiar a mobilização dos professores e dirigir críticas diretas ao Presidente, ampliando a mensagem de resistência dos trabalhadores da educação em nível de toda a central sindical.

Impacto nacional: como afetou a greve ao ciclo letivo de 2026

A medida de força implicou o adiamento do ciclo letivo em 15 províncias, incluindo Buenos Aires. O início das aulas foi adiado um dia para terça-feira, 3 de março, gerando questionamentos sobre a estabilidade do calendário escolar. A Ctera não indicou a extensão da paralisação além daquele dia, o que permitia esperar que as atividades educativas recomeçassem no dia seguinte na maior parte do território nacional.

Na província de Buenos Aires, onde o Frente de Unidade Docente paralisou as aulas, a magnitude do impacto foi considerável: cinco milhões de alunos tiveram o início das aulas atrasado. Foi a primeira vez em seis anos que se registrou uma greve massiva no início do ciclo letivo nessa jurisdição.

As principais demandas da Ctera: rumo a uma agenda educativa integral

A pauta de reivindicações apresentada pelos sindicatos de professores também incluiu o rechazo à Lei de Liberdade Educativa e a toda iniciativa que mercantilize a educação, consideradas políticas que minam os fundamentos do sistema de ensino público. Além disso, reivindicaram condições dignas de trabalho, incluindo infraestrutura escolar adequada, conectividade e acesso a recursos pedagógicos suficientes.

Entre as demandas estavam também a estabilidade laboral e a defesa dos regimes de aposentadoria dos professores, bem como o rechazo à reforma trabalhista regressiva e às políticas de ajuste que impactam diretamente a educação pública. Os sindicatos também expressaram solidariedade aos professores do AMP La Rioja e a todas as organizações sindicais que lutam pela defesa do salário e das condições de trabalho.

A paralisação foi apresentada pelos sindicatos como o início de um plano de ação contínuo que incluiria caravanas, tendas e mobilizações em diferentes pontos do país, sinalizando que a luta pela educação pública e pelos direitos dos professores se estenderia além daquele dia inicial.

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