Os ETFs de Bitcoin estão a acumular ou a vender? Dados-chave de fluxo

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Os ETFs de Bitcoin à vista estão a caminho de um quarto mês consecutivo de saídas líquidas, à medida que o BTC se aproxima de mais um fecho mensal negativo em fevereiro, evidenciando uma diminuição na procura por exposição regulamentada e ligada ao spot. Dados até meados de fevereiro mostram que as holdings dos ETFs diminuíram desde um pico no final de 2025, com ativos totais situados em torno de 84,3 mil milhões de dólares no dia, abaixo do máximo de quase 170 mil milhões de dólares em outubro de 2025. A trajetória também revela uma desaceleração nos fluxos acumulados, que caíram para cerca de 54 mil milhões de dólares, de um máximo histórico de 63 mil milhões de dólares. Desde julho de 2025, os fluxos líquidos totalizaram apenas cerca de 5 mil milhões de dólares, destacando uma mudança significativa na alocação de capital para fundos focados em criptomoedas. Entretanto, o preço do Bitcoin caiu mais acentuadamente do que os saldos dos ETFs, sugerindo que a pressão de venda está a ser absorvida pelo mercado sem um aumento correspondente na procura por ETFs.

Principais conclusões

Os ETFs de Bitcoin à vista nos EUA diminuíram de cerca de 170 mil milhões de dólares em outubro de 2025 para aproximadamente 84,3 mil milhões de dólares, sinalizando uma diminuição do apetite dos investidores por exposição regulamentada ao BTC.

Os fluxos líquidos acumulados despencaram para cerca de 54 mil milhões de dólares, de um pico de 63 mil milhões, com apenas cerca de 5 mil milhões de dólares de entradas desde julho de 2025, indicando uma desaceleração sustentada na entrada de capital novo.

Durante sete sessões, de 12 a 19 de fevereiro, as saídas dos ETFs totalizaram 11.042 BTC, sendo que em 12 de fevereiro houve uma queda de 6.120 BTC num único dia (cerca de 416 milhões de dólares na altura).

As reduções de saldo entre os principais participantes são significativas: as holdings da BlackRock em IBIT caíram para 759.000 BTC, de 806.000 BTC, uma redução de aproximadamente 6%, enquanto as holdings da Fidelity em FBTC caíram para 186.000 BTC, de 213.000 BTC, cerca de 12,6%.

Os ETFs de ouro têm deslocado alguma atenção à medida que os mercados de risco sobem e descem, com fluxos a rotacionar entre BTC e ouro nos últimos dois anos, enquanto os rendimentos macroeconómicos continuam a ser um foco para o apetite ao risco.

Tickers mencionados: $BTC, $IBIT, $FBTC

Sentimento: Baixista

Impacto no preço: Negativo. O preço do Bitcoin caiu mais acentuadamente do que os saldos dos ETFs, sugerindo que a pressão de venda ainda não está a ser contrabalançada por uma renovada procura por ETFs.

Contexto de mercado: Os fluxos dos ETFs desenrolam-se num cenário de arrefecimento macroeconómico. A Reserva Federal terminou o aperto quantitativo em dezembro de 2025, interrompendo a redução do balanço, mas a política permanece restritiva relativamente às expectativas de crescimento. O rendimento do Tesouro de 2 anos mantém-se acima das expectativas de taxa a 2 anos, enquanto o rendimento a 10 anos negocia em torno de 4,1%, com o rendimento real a 10 anos perto de 1,7% a 1,8%, mantendo condições financeiras apertadas que limitam ativos sem rendimento, como o Bitcoin. Neste ambiente, os rendimentos reais oferecem um retorno ajustado à inflação noutros mercados, aumentando o custo de oportunidade de manter BTC para alguns investidores.

Por que é importante

A persistência das saídas nos ETFs de Bitcoin à vista importa porque estes produtos são frequentemente vistos como proxies de liquidez para o mercado de criptomoedas mais amplo. Uma diminuição sustentada no AUM dos ETFs pode indicar um descompasso entre os sinais de preço e a disposição das instituições em alocar capital através de veículos regulamentados. O padrão atual—saídas que superam as quedas de preço—sugere que, pelo menos por agora, a procura fraca por produtos ETF não está a impulsionar o momentum de alta do Bitcoin. Na prática, isto significa que o quadro dos ETFs à vista pode continuar a atuar como uma fonte de oferta no curto prazo, potencialmente suprimindo recuperações de preço mesmo quando a procura à vista reviver em outros segmentos de mercado.

Forças macroeconómicas estão claramente em jogo. A retirada de fluxos dos ETFs coincide com um regime em que os rendimentos reais permanecem elevados e a política monetária continua relativamente restritiva. Como observa Benjamin Cowen, o primeiro trimestre de 2026 poderá ser caracterizado como uma fase de “digestão restritiva do ciclo tardio” para ações e criptomoedas, onde os investidores exigem maior clareza sobre inflação, crescimento e trajetórias de política antes de reativar ativos de risco. A interação entre expectativas de taxas e sentimento de risco é particularmente relevante para o BTC, que historicamente mostra sensibilidade a mudanças nos rendimentos reais e nas condições de liquidez. A ausência de um sinal claro de alívio nos rendimentos ou expansão do balanço tem contribuído para uma postura cautelosa entre compradores de ETFs e grandes detentores. A avaliação macro de Cowen, baseada em pesquisas e ciclos de mercado, enfatiza que fluxos duradouros de ETFs geralmente ocorrem quando os rendimentos reais caem ou quando uma flexibilização da política parece iminente, condições que ainda não se concretizaram.

De uma perspetiva de alocação de ativos mais ampla, a dinâmica entre Bitcoin e ouro continua a ser um tema recorrente. Nos últimos dois anos, os fluxos para ETFs de Bitcoin e ouro alternaram à medida que os investidores procuravam um equilíbrio entre liquidez, volatilidade e duração das perdas. Os fluxos para ouro aumentaram durante períodos de aversão ao risco, enquanto a exposição ao Bitcoin ficou atrás, refletindo uma preferência por ativos considerados menos voláteis ou com históricos mais sólidos em tempos incertos. Esta rotação reforça que o apetite macroeconómico ao risco, mais do que catalisadores específicos do BTC, muitas vezes impulsiona os fluxos de ETFs. Investidores atentos a catalisadores em 2026 devem considerar como as mudanças na política macro, expectativas de inflação e sentimento de risco podem favorecer novamente os ETFs de criptomoedas ou direcionar mais capital para coberturas tradicionais como o ouro.

Na prática, o mercado continuará a avaliar se o ambiente macroeconómico favorece uma recuperação de ETF ou se a tendência de saídas persistirá, influenciando assim a direção do preço do BTC.

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